segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Fora do comum: O amor

Ao fazer uma mesma pergunta para várias pessoas, nos deparamos com algo fascinante: As divergências de opiniões. Como isso sempre me chamou a atenção, eu resolvi pedir para conhecidos aleatórios fazerem um breve comentário sobre RELACIONAMENTOS ABERTOS. A escolha do tema se deu por observar vários fatos: A união homoafetiva foi legalizada, as mulheres estão assumindo o comando dos lares, o modelo tradicional de família está mudando, estamos nos deparando, cada dia mais, com novos formatos de relacionamento... Então porque não discutir?

Acho que é impossível afirmar com precisão de onde surgiu a ideia do RA, mas um caso sempre me atraiu: Simone de Beauvoir e Jean-Paul Sartre mantiveram um relacionamento onde a monogamia não era obrigatória. Ambos acreditavam que, antes de serem amantes, eram escritores, e multiplicar as suas experiências só iria ajuda-los.

”O que me entristece é que o casal permaneça unido pelo hábito, pela pressão social… Logo que dois seres se sentem ligados não tanto por se amarem, o que era libertação e plenitude transforma-se em angústia e prisão. Sartre e eu nunca vivemos juntos e sempre consideramos ser livres de correntes que nos prendessem um ao outro. Se permanecemos unidos toda a vida, foi porque nos amávamos profundamente e porque, livremente, sempre tivemos vontade de estar um com o outro. E isso é a coisa mais bela que pode acontecer a um ser humano. O amor dá força e coragem para enfrentar o mundo e a vida, a dois e não a um só. É muito!” (Simone de Beauvoir)

Historicamente, a nossa cultura ocidental é monogâmica e estabelece como essencial a certeza da fidelidade física. Infelizmente, essa tal fidelidade é, muitas vezes, uma ilusão, visto que somos animais e também estamos vulneráveis a agir por impulso e temos desejos que vão além do amor. Para mim, assumir um RA é conseguir separar sexo de amor e, principalmente, confiar no sentimento do outro. Particularmente, os relacionamentos abertos são os que eu mais acredito, já que há ali uma extrema confiança, a relação é baseada na amizade e na sinceridade.

De todos os argumentos que recebi contra o RA, o mais convincente passa pelo ciúme (mais uma das consequências do nosso instinto animal que nos faz agir por impulso). Somos egoístas, não somos capazes de “dividir” o que é nosso. Esse talvez seja um dos grandes defeitos dos relacionamentos atuais: Queremos o outro só pra gente, mas não conseguimos ser só do outro. Para aceitar que nosso parceiro tenha desejos por outras pessoas, é necessário ter o sentimento de posse bem mais controlado que o normal.

Outro fator que considero individual, mas extremamente válido, é a convicção de que só o ser amado nos basta. Acabamos caindo em uma discussão abstrata: Quando amamos, nos sentimos saciados com o corpo do outro, com os carinhos do outro e desejar outra pessoa é indício de que não há mais um sentimento tão grande. Eu discordo, acho que não existe alguém no mundo capaz de desejar apenas uma pessoa por toda sua vida, mas não tenho argumentos, é apenas uma impressão sem base concreta.

A fidelidade física talvez não seja algo determinante. Fidelidade é um conceito amplo, ligado à confiança que um deposita no outro, se refere ao quanto nos sentimos seguros em nossos relacionamentos. Admitindo que temos desejos outros, não existirá traição.

De todas as opiniões que recebi pouquíssimas foram totalmente a favor do RA, mas eu gostei muito de perceber que a maioria das pessoas entende que um relacionamento deve ter o formato que for conveniente a quem o vive e que o amor é que deve estar acima de tudo!

Obs.: Esse texto foi escrito em dezembro de 2011.