Na noite de quinta-feira, poucas horas antes do apagão, eu estava trabalhando como recepcionista em um show beneficente em prol do Instituto de Cegos da Bahia. A festa estava animada e, pela primeira vez em contato com um deficiente visual (que estava também recepcionando os convidados), eu refletia sobre como deve ser triste viver na escuridão.
De repente, tudo se apagou, me vi na escuridão. E a agonia tomou conta das pessoas no local. De diversas partes do país, ligações eram recebidas: "Você também está no escuro?".
Sem iluminação, a euforia dos convidados acabou. O fim da festa foi inevitável. Meu colega de recepção se despediu e foi ao encontro de sua acompanhante.
Caminhando para a saída, a moça, que enxergava perfeitamente, ia na frente, guiando o meu colega cego. Ele caminhava depressa e ela reclamou: "Devagar! Está escuro! Eu não enxergo!". Com um sorriso de canto de boca, ele respondeu: "Não. EU não enxergo. Me deixe ir na frente, vou te guiar até a saída."
