Caminhando tranquilamente pela rua estavam uma mãe e a sua filhinha, muito feliz por carregar consigo uma bexiga cor-de-rosa. Um pouco atrás, caminhava também um rapazinho sujo e muito mal vestido. A presença do garoto só foi percebida quando ele começou a correr em direção às duas e pronunciar algumas palavras amontoadas. Cega de desespero, a mãe puxou a menina pelo braço, entrou a toda velocidade em um táxi qualquer e partiu. O garoto continuou correndo, desta vez em direção ao carro onde se encontrava a linda menininha que deixou cair a bexiga cor-de-rosa, que ele tanto se esforçou para devolver.
sábado, 11 de agosto de 2012
sexta-feira, 3 de agosto de 2012
Sempre há um jeitinho...
Em tempos de eleição, é praticamente impossível não ter alguns momentos
de reflexão sobre o charlatanismo. Não há coerência nas promessas e atitudes, não
há o mínimo respeito com o eleitor. Mas a minha maior frustração vem do
povo, que se convence com a [nossa velha conhecida] política do
populismo. Também conhecida como política de manipulação das massas, política
do "cale a boca que eu estou te dando Bolsa Família".
Mas está
explícito que esse tal charlatanismo não finda no campo político.
Sabemos que o nosso povo está sempre buscando caminhos alternativos pra
facilitar o dia-a-dia (para amenizar os termos). E é daí que surge uma
das minha maiores inquietações: Seria o comportamento dos políticos
reflexo do comportamento da população ou o comportamento da população é
um reflexo do comportamento dos políticos? Quem veio primeiro foi o ovo
ou a galinha? Infelizmente, acredito que esse é um ciclo vicioso muito,
mas muito mesmo, difícil de ser interrompido.
Esses dias vi
algumas manifestações na internet contra um comercial televisivo,
classificado como cômico, em que o desejo dos homens é ficar invisível
para poder abusar sexualmente das mulheres (olhem que eu não vou nem
entrar na discussão do machismo, estupro etc). É exatamente esta a nossa
cultura: desde que não seja punido, posso fazer o que eu quiser.
Algumas pesquisas comprovam que a maioria dos homens não hesitaria em
estuprar caso o estupro não fosse crime. Que sociedade animalesca é
essa? Precisamos ser domesticados para que consigamos viver em grupo. É
essa a espécie considerada pensante, superior? Tudo é válido para tirar
vantagens, sejam elas sexuais ou financeiras (ao meu ver, são essas as
maiores necessidades do modelo atual de homem civilizado).
Em
alguns estudos superficiais sobre Roberto da Matta, percebi que esse
"jeitinho brasileiro" não é novidade pra os sociólogos e antropólogos.
Suaves transgressões às regras já são toleradas, e as crises éticas já
impregnaram todas as eferas da nossa sociedade. E, quando me refiro à
crises éticas, não falo só de corrupção. Estou incluindo o racismo, o
machismo, a homofobia, o especismo e todos os seus semelhantes. Pra mim,
a discriminação é o pior tipo de crise ética imaginável (mesmo
entendendo que todos esses comportamentos têm raízes históricas, a ética
citada é corrupção, blá, blá, blá, eu sei de tudo isso).
Então,
se tantos estudiosos não conseguiram chegar à conclusão nenhuma, quem
sou eu, né? Só sei que ainda tenho esperanças de que algum dia as
pessoas se conscientizem de que a educação é o caminho para a mudança,
percebam que essa necessidade de colocar todos na universidade é só uma
forma de mascarar a podridão que é o ensino básico, que o populismo tem
sido uma eficaz maneira de calar a população. Que acabe a ilusão de que isso
é política afirmativa. Sonho apenas com um país onde todos tenham as
mesmas oportunidades, independende de cor, gênero, opção sexual, classe
social etc., um lugar onde vence na vida aquele que se esforça e se
destaca.
P.s.: Sobre a pergunta do ovo ou da galinha, não posso
deixar de compartilhar a fantástica e surpreendente resposta que me deram: É claro que a galinha veio primeiro, Deus criou todas as
criaturas.
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