sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Sempre há um jeitinho...

Em tempos de eleição, é praticamente impossível não ter alguns momentos de reflexão sobre o charlatanismo. Não há coerência nas promessas e atitudes, não há o mínimo respeito com o eleitor. Mas a minha maior frustração vem do povo, que se convence com a [nossa velha conhecida] política do populismo. Também conhecida como política de manipulação das massas, política do "cale a boca que eu estou te dando Bolsa Família".

Mas está explícito que esse tal charlatanismo não finda no campo político. Sabemos que o nosso povo está sempre buscando caminhos alternativos pra facilitar o dia-a-dia (para amenizar os termos). E é daí que surge uma das minha maiores inquietações: Seria o comportamento dos políticos reflexo do comportamento da população ou o comportamento da população é um reflexo do comportamento dos políticos? Quem veio primeiro foi o ovo ou a galinha? Infelizmente, acredito que esse é um ciclo vicioso muito, mas muito mesmo, difícil de ser interrompido.

Esses dias vi algumas manifestações na internet contra um comercial televisivo, classificado como cômico, em que o desejo dos homens é ficar invisível para poder abusar sexualmente das mulheres (olhem que eu não vou nem entrar na discussão do machismo, estupro etc). É exatamente esta a nossa cultura: desde que não seja punido, posso fazer o que eu quiser. Algumas pesquisas comprovam que a maioria dos homens não hesitaria em estuprar caso o estupro não fosse crime. Que sociedade animalesca é essa? Precisamos ser domesticados para que consigamos viver em grupo. É essa a espécie considerada pensante, superior? Tudo é válido para tirar vantagens, sejam elas sexuais ou financeiras (ao meu ver, são essas as maiores necessidades do modelo atual de homem civilizado).

Em alguns estudos superficiais sobre Roberto da Matta, percebi que esse "jeitinho brasileiro" não é novidade pra os sociólogos e antropólogos. Suaves transgressões às regras já são toleradas, e as crises éticas já impregnaram todas as eferas da nossa sociedade. E, quando me refiro à crises éticas, não falo só de corrupção. Estou incluindo o racismo, o machismo, a homofobia, o especismo e todos os seus semelhantes. Pra mim, a discriminação é o pior tipo de crise ética imaginável (mesmo entendendo que todos esses comportamentos têm raízes históricas, a ética citada é corrupção, blá, blá, blá, eu sei de tudo isso).

Então, se tantos estudiosos não conseguiram chegar à conclusão nenhuma, quem sou eu, né? Só sei que ainda tenho esperanças de que algum dia as pessoas se conscientizem de que a educação é o caminho para a mudança, percebam que essa necessidade de colocar todos na universidade é só uma forma de mascarar a podridão que é o ensino básico, que o populismo tem sido uma eficaz maneira de calar a população. Que acabe a ilusão de que isso é política afirmativa. Sonho apenas com um país onde todos tenham as mesmas oportunidades, independende de cor, gênero, opção sexual, classe social etc., um lugar onde vence na vida aquele que se esforça e se destaca.

P.s.: Sobre a pergunta do ovo ou da galinha, não posso deixar de compartilhar a fantástica e surpreendente resposta que me deram: É claro que a galinha veio primeiro, Deus criou todas as criaturas.

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